quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Imigração Açoriana - Textos

A literatura pode ser uma boa forma de vivenciar um fato. Quando estudamos a imigração açoriana, os alunos foram convidados a escrever um texto literário ambientado neste episódio da História de Santa Catarina. Os textos foram  lidos em sala. Dois foram escolhidos e e trabalhados em sala. Veja como ficaram:


Uma história
dos açorianos
( Késia de Souza Todão Lima)

    Olá! Meu nome é Mateus. Eu vou contar uma história sobre a minha origem. Meus tataravós contaram para meus avós que contaram para mim.
    Um dia, num terreno muito grande,com plantação de cana e gado, na Ilha de Açores, havia muitas pessoas. Pessoas trabalhadoras, que ganhavam míseros centavos para sustentar a família. Meus tataravós eram crianças.
    Não tinham terra nem casa e a comida era pouca. De repente, apareceu um mensageiro que disse:
    -Meu patrão me enviou e me mandou dizer: “- Eu ofereço abrigo, comida e dinheiro.” - Se vocês vierem para Santa Catarina, não vão precisar ir para o exército, vão ganhar bastante dinheiro, vão ter muita comida e nem vão precisar pagar impostos!
    -Mas como nós vamos pagar o navio?
    -A passagem é por conta da casa!
    -E o dindim? Quando vão dar o dinheiro?
    -Quando chegarmos lá! -Disse o mensageiro todo contente.
    -À noite, o navio estará no porto, saindo! -Falou o Capitão do navio.
    Todos que estavam lá concordaram. No navio, foram cem pessoas.
    Passaram por muitas dificuldades. Todos comeram peixe cru, tomaram água podre, comeram bolacha bichada... O Capitão, o mensageiro e os seus capangas, é claro, comiam comida fresquinha.
    Muitos morreram. A irmã da minha tataravó, em um certo dia, ficou muito doente. Jogaram o corpo dela no mar; ainda viva!
    Ao chegarem aqui, na Ilha de Santa Catarina, não encontraram nada do que foi prometido.
    Descobriram que o Capitão e o mensageiro mentiram. Apareceu o Senhor das terras que falou:
    - Se vocês querem viver, vocês terão que trabalhar para mim.
Todos tiveram que aceitar.
    Passaram muitos anos, e na época da colheita eles guardavam um pouco para si. Guardavam farinha, açúcar, milho, feijão, carne seca...
    Aos poucos, conseguiram fazer suas casinhas, ter sua terrinha, ter suas coisas.
    Começou a surgir uma nova cidade.
    Foi nessa cidade que eu e meus irmãos nascemos.
  E outras cidades também surgiram e Santa Catarina virou esse lugar maravilhoso.


De Açores para Santa Catarina
(Julio Charles Buenos Bez)

   Em 1739 o Brigadeiro José da Silva Paes assumiu o governo da Capitania de Santa Catarina.
     Faltavam trabalhadores, os piratas invadiam o seu território, não havia mulheres, os espanhóis tentavam dominar esse espaço. A situação era difícil.
     O Brigadeiro teve uma ideia:
   -Vou mandar um navio para Açores e trazer muitas pessoas para construir uma civilização!
    Pagou o Capitão Sebastião Cabral que partiu para Açores oferecer trabalho e muita terra para aquele povo.
     Levou consigo o braço direito do Brigadeiro, Luís Antônio da Gama e vários capachos.
     Chegaram e viram os açorianos trabalhando muito, muito mesmo.
     Na saída do trabalho, Luís Antônio da Gama falou:
    -Vocês querem ir para Santa Catarina? Ganhar muito dinheiro, sem precisar trabalhar?
Muitos aceitaram.
    -Vamos aceitar! - Disse João Emanuel da Silva,um viúvo que se esforçava muito para conseguir seus alimentos.
    -Não pai! - Disse Diego! - É tudo mentira, não acredita nele!
    -Eu vou! Se você quiser ficar, fica.
    -Está bem, eu fico.
    Então João Emanuel e muitos outros partiram. Diego, seu único filho, não aceitou o convite.
    Viajaram por muito tempo.
    O homem estava ansioso para chegar e também com fome.
    -Chegamos! -Disse Roberto, primo de João Emanuel.
    O Capitão deu ordens:
   -Desçam do navio! Agora! E comecem a trabalhar!
    Os açorianos desceram. Estavam famintos e arrependidos, mas ainda tinham esperança de conseguir uma boa terra.
    João Emanuel olhou em volta de si e não viu nada do que fora prometido.
    João Emanuel perguntou:
    -Cadê as casas? Onde vamos dormir?
    -Vocês vão dormir no mato! -Disse o capitão, indo embora.
    Tiveram uma grande decepção.
   Lutaram e trabalharam muito pra conseguir comida. Muitos morreram de cansaço, outros de fome, desidratados...
    Nem todos morreram!
    O filho, com saudade do pai, embarcou também.
    Alguns meses depois encontrou seu pai doente e desanimado.
    -Filho,por que você veio aqui?
    - Vim aqui para te salvar!

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